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CONSERVAR O DEPÓSITO DA FÉ

 [ EN  - ES  - FR  - IT  - LA  - PT ]

CARTA ENCÍCLICA
PASCENDI DOMINICI GREGIS
DO SUMO PONTÍFICE
PIO XAOS PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS, BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS EM PAZ
E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE
AS DOUTRINAS MODERNISTAS

Veneráveis Irmãos,
saúde e bênção apostólica
INTRODUÇÃO
A missão, que nos foi divinamente confiada, de apascentar o rebanho do Senhor, entre os principais deveres impostos por Cristo, conta o de guardar com todo o desvelo o depósito da fé transmitida aos Santos, repudiando as profanas novidades de palavras e as oposições de uma ciência enganadora. E, na verdade, esta providência do Supremo Pastor foi em todo o tempo necessária à Igreja Católica; porquanto, devido ao inimigo do gênero humano nunca faltaram homens de perverso dizer (At 20,30), vaníloquos e sedutores (Tit 1,10), que caídos eles em erro arrastam os mais ao erro (2 Tim 3,13). Contudo, há mister confessar que nestes últimos tempos cresceu sobremaneira o número dos inimigos da Cruz de Cristo, os quais, com artifícios de todo ardilosos, se esforçam por baldar a virtude vivificante da Igreja e solapar pelos alicerces, se dado lhes fosse, o mesmo reino de Jesus Cristo. Por isto já não Nos é lícito calar para não parecer faltarmos ao Nosso santíssimo dever, e para que se Nos não acuse de descuido de nossa obrigação, a benignidade de que, na esperança de melhores disposições, até agora usamos.
E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do êrro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.  LER...
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CARTA ENCÍCLICA
PASCENDI DOMINICI GREGIS
DO SUMO PONTÍFICE
PIO XAOS PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS, BISPOS
E OUTROS ORDINÁRIOS EM PAZ
E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA
SOBRE
AS DOUTRINAS MODERNISTAS

Veneráveis Irmãos,
saúde e bênção apostólica
INTRODUÇÃO
A missão, que nos foi divinamente confiada, de apascentar o rebanho do Senhor, entre os principais deveres impostos por Cristo, conta o de guardar com todo o desvelo o depósito da fé transmitida aos Santos, repudiando as profanas novidades de palavras e as oposições de uma ciência enganadora. E, na verdade, esta providência do Supremo Pastor foi em todo o tempo necessária à Igreja Católica; porquanto, devido ao inimigo do gênero humano nunca faltaram homens de perverso dizer (At 20,30), vaníloquos e sedutores (Tit 1,10), que caídos eles em erro arrastam os mais ao erro (2 Tim 3,13). Contudo, há mister confessar que nestes últimos tempos cresceu sobremaneira o número dos inimigos da Cruz de Cristo, os quais, com artifícios de todo ardilosos, se esforçam por baldar a virtude vivificante da Igreja e solapar pelos alicerces, se dado lhes fosse, o mesmo reino de Jesus Cristo. Por isto já não Nos é lícito calar para não parecer faltarmos ao Nosso santíssimo dever, e para que se Nos não acuse de descuido de nossa obrigação, a benignidade de que, na esperança de melhores disposições, até agora usamos.
E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do êrro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.  LER...

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

OBLATO DE SÃO BENTO

http://irmaomiguel.blogspot.pt/2008/11/oblato-de-so-bento.html


    Ir. Michael de Oliveira, obl. OSB

1. A oblação constitui, pois, um “caminho de perfeição” oferecido aos que, entre as mais variadas formas de que se pode revestir a perfeição cristã, através da diversidade das Ordens Religiosas e das orientações espirituais que elas concretizam, sentem-se mais atraídos pelo espírito que informa a vida monástica, tal como a concebeu e organizou São Bento;
2. A preeminência reservada ao Louvor Divino, se explica e se justifica duplamente, quer seja o enfoque do ponto de vista de Deus, ou do ponto de vista do homem, pois pode-se considerar o Louvor Divino quer como fim principal do monge, quer como meio privilegiado de sua santificação.
2.1 - Na primeira perspectiva dir-se-à que o monge é, por definição e antes de mais nada, “um homem que procura à Deus”. Daí decorre que a oração litúrgica é o primeiro e o mais importante dos meios que utiliza para alcançar esta finalidade, desde que - e isso é importantíssimo – tal meio venha acompanhado de outras práticas que tendem a situar o homem num ambiente de recolhimento, de silêncio, de desprendimento e de humildade, a fim de criar em sua alma um clima de ordem, harmonia e paz, favoráveis ao desenvolvimento do espírito de oração. (não nos esqueçamos que a PAZ é um dos lemas de São Bento).
3. Tal será pois, igualmente, o objetivo dos oblatos: viver o espírito da Santa Regra, praticando na medida das situações pessoais e de acordo com as circunstâncias em que a Divina Providência os coloca, as virtudes monásticas, unindo-se da melhor forma possível – ao menos na intenção ou, quem sabe, recitando alguma “Hora” do Ofício – à Solene Oração Litúrgica (que o mosteiro está fazendo subir até Deus), em união com toda a Igreja, no cumprimento de sua função principal de adoração e louvor;
3.1 – Trata-se então para o oblato, antes de mais nada, de viver o mais possível segundo o espírito de São Bento, embora permanecendo no mundo e nas condições particulares de sua vida.
4. Fazer profissão de Oblato é escolher seriamente um caminho, após madura reflexão. É assumir um compromisso de enorme importância, já que se toma a Deus mesmo como testemunha; é colocá-la entre as coisas mais graves aos olhos da fé pois que se refere às coisas de ordem sobrenatural. É firmar um “contrato” com a comunidade monástica à qual se filia, de onde resultará uma comunhão vital, e uma co-responsabilidade espiritual recíproca. É engajar-se, solenemente, no caminho de uma verdadeira conversão interior; conversão esta que, como se sabe, nunca será inteiramente atingida nesta terra, mas na qual se deve trabalhar dia-a-dia, com perseverança, inspirando-se nos princípios da Regra monástica que o próprio São Bento definiu como “uma escola do serviço do Senhor”. (Prólogo)

A PERFEIÇÃO CRISTÃ
5. O oblato é, antes de tudo, um fiel, animado pelo desejo de aperfeiçoar cada vez mais sua vida cristã.
5.1 - ... ele deve conduzir-se em todas as circunstâncias como um verdadeiro filho de Deus e tomar ao pé da letra o preceito dado por Jesus aos seus discípulos e aos todos os que devem, no decorrer dos séculos tornarem-se seus fiéis: “Deveis ser perfeitos como Vosso Pai Celeste é Perfeito” (Mt 5, 48)
6. Sabemos por experiência que essa perfeição não se faz, sem se chocar com muitos obstáculos. Alguns obstáculos podem ser causados diretamente pelo espírito do mal. Muitos outros tem sua fonte nas más inclinações de nossa natureza decaída em conseqüência do pecado original; outros ainda, provêm do mundo que nos rodeia, mundo que São João nos descreve como dominado por “tríplice cobiça”: o desejo desenfreado dos bens, a avidez sem limites, e às vezes obsedante, dos prazeres e dos sentidos; a ambição na busca do poder e da glória...
6.1 – Muitos fiéis, fervorosos e sinceros, sofrem e se sentem confusos com essa situação de fato; procuram escapar dessas condições tão desfavoráveis, sentindo bem que a mais importante para o homem na terra, é viver na amizade de Deus, cultivando e aprofundando esta amizade.
7. É, portanto, ao maior número de cristãos que é proposta a santificação, não obstante viverem no mundo; que se santifiquem apesar do mundo, cujo espírito está constantemente em contradição com o Evangelho; e se santifiquem contra ele, recusando-se pactuar com os falsos princípios que o guiam; mas também que se santifiquem por meio dele e com ele, esforçando-se para ser naquele ambiente “o fermento que leveda toda a massa” (“toda a alma que se eleva, eleva o mundo”).
7.1 – Para chegar a tal finalidade, eles têm, primeiramente, à sua disposição, os recursos sobrenaturais, que a Igreja lhes oferece: a Missa, os Sacramentos, a prece litúrgica, o ensino religioso, as pregações, a direção espiritual, etc.; têm ainda, se a isso se dedicarem, possibilidade de leitura, meditações, reflexões, orações pessoais e as obras de caridade e do apostolado que poderão exercer.
7.2 – Observa-se então, a necessidade que experimentaram os fiéis, de se agruparem em torno de grandes famílias religiosas, a fim de viverem a seu redor e nelas encontrarem conselhos, exemplos e apoio.
7.3 – Em rápidas indicações, podemos dizer então que a Oblação Beneditina, consiste numa agregação direta e individual a uma determinada comunidade monástica e não a um agrupamento mais ou menos distinto dessa comunidade.

AS GRANDES FAMÍLIAS ESPIRITUAIS
8. Dentro das grandes famílias religiosas, o religioso se distingue pela escolha de querer chegar à perfeição pelas vias mais seguras, diretas e eficazes, que são os conselhos evangélicos, consagrando-se exclusivamente, ao serviço de Deus.
Classificam-se geralmente os religiosos em Ativos e Contemplativos.
Os Ativos, exercem sua vida religiosa dentro de um esquema em que praticam atividades temporais bem determinadas, como o ensino, o cuidado de doentes, etc., o que dá uma nuance[1] particular à sua espiritualidade.
Os Contemplativos, tem suas vidas organizadas em torno da prece, santificação pessoal e louvor à Deus, muito embora juntem a esse único necessário, os deveres mais variados de caridade fraterna, segundo as necessidades da vida em comunidade.
8.1 – Para aqueles porém, que desejam dedicar-se à prece litúrgica, ao amor e louvor à Deus, a uma vida contemplativa de oração, silêncio e recolhimento, será sem dúvida, a Oblação Beneditina que lhes convirá.

A OBLAÇÃO E AS ORDENS TERCEIRAS
9. Os primeiros monges foram homens que se retiraram para a solidão, para ocupar-se somente com Deus, distante dos barulhos, agitações, desejos e vaidades da vida secular, tornando-se assim testemunhas mártires do absoluto de Deus.
9.1 – Foi no século VI, que o gênio cristão de São Bento fez uma síntese, que se tornou a “Santa Regra”, a qual eclipsou, pelo menos no ocidente, todas as outras.
9.2 – Essa Regra, no entanto, aplicava-se e se aplica a um simples mosteiro, a uma comunidade reduzida de monges, sob a autoridade paternal de um Abade (Abbas = Pai), isto é, uma família monástica, na qual se entra pelo noviciado e pela Profissão, e a qual se pertence de maneira estável, onde se cresce e trabalha, se envelhece e finalmente se morre.
9.3 – Portanto, dizemos que, não se “é monge beneditino”: mas “monge de ‘tal’ mosteiro” – onde se fez Profissão e se ingressou por toda uma vida e na qual se possui direitos capitulares.
9.4 – O que acabamos de dizer a respeito dos monges, pode-se aplicar igualmente e com as nuances desejadas, aos leigos que aspiram viver “a sombra das grandes Ordens” e sob sua irradiação; os fiéis que, morando no mundo, buscam se apoiar nessas famílias de oração e doutrina, participando na medida do possível, de sua vida e espiritualidade.
9.5 – Assim foi idealizado o mosteiro de São Bento, onde todos têm o seu lugar e seu papel sob a autoridade paternal do Abade: monges clérigos, monges não clérigos, irmãos, noviços, familiares e oblatos, todos buscando o mesmo Deus e servindo o mesmo Senhor, cada um a seu modo, dentro de sua medida. É assim que o oblato, assim como o monge, pertence a seu mosteiro, do qual constitui uma de suas “pedras vivas”, segundo a bela expressão da Liturgia da Dedicação das Igrejas.

FISIONOMIA PARTICULAR DE CADA MOSTEIRO
10. Evidentemente, em razão da diversidade de mosteiros existentes, aquele que desejar se engajar na Oblação, escolherá o mosteiro que mais apreciar e onde se sinta num clima que responda às necessidades de sua alma.
10.1 – É por um laço direto e pessoal que os oblatos são unidos à sua família monástica para participar plenamente e mais intimamente de sua vida sobrenatural, de seus méritos e, se for vontade de Deus, de sua santidade.

OBLATOS E AMIGOS DO MOSTEIRO
11. O amigo do mosteiro, por mais que possa estar ligado à comunidade, não faz parte dela, não é um agregado seu. O oblato pelo contrário, faz parte realmente da comunidade monástica, ainda que, bem entendido, a título diverso dos professos do mosteiro. É por sua Oblação que o oblato se agrega ao mosteiro e à comunidade monástica. O ato de oblação implica num engajamento recíproco entre ele (o oblato) e os monges. Como um contrato ou uma aliança, de onde resulta um pertencer mútuo.
11.1 – Um amigo, por mais dedicado e devotado que seja ou que esteja ao mosteiro, não tem por isso a obrigação, nem mesmo a vontade, e geralmente, nem o simples desejo de confirmar sua vida a um ideal que ele estima e admira, mas que não julga feito para ele.
11.2 – Ao contrário, o oblato se dá realmente, e a oblação que faz de si mesmo não é simplesmente a expressão de um piedoso desejo, uma aspiração de perfeição. É um propósito firme e bem determinado, uma PROMESSA.

UM SÉRIO ENGAJAMENTO
12. Como vimos, o ingresso na oblação, constitui-se num sério engajamento que deve Ter ressonância em toda a vida espiritual do oblato, não só na vida interior de oração e preces, mas em todas as suas atividades, mesmo as profanas.
Assim como o cristão deve agir cristãmente e como filho de Deus, em todas as suas atividades, assim o oblato deve sempre e em toda a parte se esforçar para seguir o espírito da Santa Regra, e se conduzir pelo menos interiormente, como um verdadeiro discípulo de São Bento.
13. Trata-se, portanto, vê-se bem, de um engajamento sério, que não se pode encarar superficialmente.
É verdade que os Estatutos assinalam que esse engajamento não tem o caráter de voto. Canonicamente falando, o voto é uma promessa livre e deliberada, feita diretamente a Deus, e por isso mesmo, tem um vigor especial, de tal forma que sua violação se reveste de malícia, de um sacrilégio. A simples PROMESSA, ao contrário, é feita diretamente a uma pessoa ou a uma comunidade. Portanto, estritamente falando, não compromete sob pena de pecado, mas carrega consigo uma obrigação moral. Desde que (o oblato) dá sua palavra, deve cumpri-la!
14. O monge promete estabilidade, conversão dos costumes e obediência. O oblato promete somente a “conversão dos costumes”, o que não é pouca coisa: significa orientar totalmente sua vida em direção à Deus, “empenhar-se em seguir ao Cristo, para atender seu apelo”. A conversão dos costumes para o monge, além disso, compreende mais dois meios práticos, essenciais à condição de monge: o celibato e a pobreza.
Embora não venham explicitados na Carta de Profissão, esses dois engajamentos estão contidos na intenção de vida monástica e constituem matéria de votos, como estabilidade e obediência. A promessa do oblato não inclui evidentemente essa matéria, como se verá no capítulo dedicado aos Conselhos Evangélicos.

COMO TORNAR-SE OBLATO
15. Logo que alguém se sente atraído a viver uma vida profundamente cristã, permanecendo no mundo, e constata que a espiritualidade da Regra de São Bento é a ideal para realizar este anseio, pode-se dizer que duas condições fundamentais já estão reunidas. Mas a segunda pressupõe que tal pessoa já adquiriu algum conhecimento do espírito de São Bento, seja por leitura da Santa Regra, (o texto original ou algum complemento ou comentário), seja, sobretudo, por contatos mais ou menos assíduos com um mosteiro.
Em se tratando de coisa tão séria, uma tal decisão emanará, em primeiro lugar, reflexão, e, mais ainda, oração, para obter do Espírito Santo, uma luz sobrenatural assegurando que esta é realmente a vontade de Deus.
Os candidatos à Oblação apresentam seu pedido ao padre diretor dos oblatos, que lhes fornece as informações e esclarecimentos necessários.
15.1 – A partir daí, são submetidos a alguns meses, por um período de “postulantado”. Já que desejam entrar para a família espiritual do mosteiro, é natural que este recolha informações sobre os candidatos, tais como: situação familiar, vida cristã, vida paroquial, etc., a fim de verificar se esta vontade de participar da vida do mosteiro como oblato não passa de simples entusiasmo passageiro.
15.2 – O próprio São Bento, no Capítulo LVIII da Regra não prescreve que não se tenha muita pressa em acolher os candidatos à vida monástica, mas que, segundo as recomendações do Apóstolo, não se deixe de “experimentar os espíritos para ver se vem de Deus?”
15.3 – Depois de mais ou menos um ano, o postulante é admitido ao “noviciado”. Numa pequena e discreta cerimônia, na igreja do mosteiro, ele recebe o Escapulário, que se constitui no sinal de seu ingresso na família monástica.
A duração do noviciado é de, no mínimo, um ano, não podendo ser abreviado. Por outro lado, pode muito bem ser prolongado, se as circunstâncias o exigirem ou também se o candidato não se sentir suficientemente preparado para um compromisso definitivo. Durante esse tempo, o “noviço” deverá esforçar-se por fazer uma leitura atenta da Regra, utilizando de preferência, um comentário da mesma.
Deve enfim, exercitar-se em viver desde então como oblato, descobrindo progressivamente, e talvez as apalpadelas, de que maneira lhe é mais fácil e proveitoso participar da vida espiritual de seu mosteiro, pelo Ofício Divino, pela prece particular e pela leitura de textos sagrados.
15.4 – Terminado o tempo de noviciado, o noviço, é admitido para fazer sua Profissão. Segundo os desejos do candidato e os costumes de cada mosteiro, a cerimônia é cercada de mais ou menos solenidade, quer na intimidade, com a presença somente de algumas pessoas, monges e amigos, quer na presença de toda a comunidade, e mesmo, em certos casos, no decorrer da missa conventual. Comporta os mesmos elementos essenciais da Cerimônia de Profissão Monástica: interrogatório do noviço, que afirma publicamente sua intenção de dar-se ao mosteiro na qualidade de oblato; leitura da Carta de Profissão, que constitui o ato oficial desta doação; assinatura desta carta sobre o Altar, canto ou recitação do “Suscipe-me...” conforme a Regra de São Bento, prece de bênçãos em favor do novo oblato; enfim, declaração de sua admissão na família monástica.
15.5 – A carta que o oblato escreveu de seu próprio punho e assinou no Altar, é em seguida conservada nos arquivos do mosteiro. Em troca, uma carta de filiação, com a assinatura e selo do Abade, é remetida alguns dias mais tarde, ao novo professo, constituindo-se prova autêntica e permanente de que pertence, na qualidade de Oblato, ao mosteiro que é, de agora em diante, sua verdadeira família espiritual.

A PRECE LITÚRGICA NA VIDA DO OBLATO
16. O culto mais perfeito que poderíamos render a Deus, o único que é verdadeiramente digno d’Ele, que está à sua altura, digamos assim, é o Sacrifício de Seu Filho, o Sacrifício do Verbo Encarnado, realizado de forma histórica e cruenta no Calvário e perpetuado através dos séculos e dos tempos, sob a forma mística e sacramental da Santa Missa. É por isso que a Santa Missa é o centro e o auge de toda a liturgia cristã; é igualmente por isso que a Missa Solene constitui cada dia, para os monges, o polo em torno do qual se organiza todo o cortejo das “Horas” do Ofício Divino.
16.1 – Assim, o oblato, no desejo de colocar sua vida de prece em ritmo com a do mosteiro, procurará participar da Santa Missa com a maior freqüência possível, o ideal, evidentemente, é fazê-lo diariamente sem entretanto, que isso venha a constituir um dever de consciência, e muito menos, uma obrigação, sob pena de pecado.
16.2 – Sabemos que o Ofício Divino contém duas horas maiores: as Laudes e as Vésperas, preces solenes da manhã e da tarde, oriundos diretamente do holocausto que se oferecia a cada dia, na aurora e no crepúsculo, no templo de Jerusalém, depois das horas menores que dividem o desenrolar do dia: Terça, Sexta e Nôa, as quais se junta o Ofício das Completas, na hora de deitar. Quanto às Matinas, chamada atualmente de Ofício das Leituras, constitui, na liturgia monástica, a porção mais desenvolvida do Ofício Divino. É feita normalmente para santificar as horas da noite, consagrada à prece, daí o nome de “vigílias” e sua divisão em “noturnos”.
16.3 – Quando aos oblatos têm a sorte de morar nas vizinhanças do mosteiro, ou por ocasião numa estada ali, costumam associar-se à celebração dessas horas do ofício. Experimentam assim o ritmo regular, sempre variado e jamais monótono que contribui tanto para manter as almas numa atmosfera de recolhimento, de prece e de paz.
17. Apenas muito raramente o oblato, vivendo no mundo, consegue rezar integralmente o breviário.
17.1 – O mais freqüente é o oblato fazer a escolha de alguns trechos ou horas do dia. Uns preferirão rezar os ofícios mais solenes das Laudes e das Vésperas, fazendo portanto suas preces da manhã e da tarde; outros escolherão antes, as horas menores ou apenas uma dentre elas, visto que isso se harmoniza melhor com a organização de seu dia ou com suas necessidades espirituais.
17.2 – Porém, a utilização do ofício monástico recitado apenas parcialmente pelos oblatos, apresenta vários inconvenientes. Tendo que se contentar, por exemplo, apenas com as recitações da horas do dia, são levados a deixar de lado numerosos salmos que a Regra dispõe para o ofício da noite (Matinas).
Maior inconveniente ainda, acontece com os que se limitam a recitação das horas menores, e portanto só utilizam praticamente os salmos “Graduais”, sempre os mesmos, repetidos todos os dias na Terça, Sexta e Nôa.
18. Vimos que o Ofício Divino, ocupa um lugar central na vida monástica. Devido a isso as Ordens Contemplativas, e mais particularmente a beneditina, foram consideradas como verdadeiras especialistas na prece litúrgica, chegando a pensar que exerciam um monopólio, sendo as únicas encarregadas de realizar este Ofício em nome de toda a Igreja.

PRECE PARTICULAR E ORAÇÃO
19. Ao lado da prece litúrgica, é evidente que a prece particular deve igualmente ocupar um grande espaço na vida do monge assim como na do oblato.
19.1 – O essencial, tanto para os oblatos como para os monges, será ter o cuidado e a vontade de reservar ao longo do dia, alguns momentos para estar mais intimamente e familiarmente com Deus. Como uma alma profundamente ligada ao Senhor pode não ser ávida de estar em sua companhia em meia ou uma hora de conversação? Há tanto que lhe dizer e aprender d’Ele!

O DEVER DA LEITURA
20. Entre as obrigações positivas da vida monástica, vimos que a celebração do Ofício Divino, com seu indispensável corolário[2] que é a prece particular, ocupa o primeiro lugar. Mas há um segundo dever, ao qual São Bento dá igualmente uma importância maior, e com muita insistência: o dever da leitura.
20.1 – O que ler? Para o cristão, o livro preferido deverá ser a Bíblia. A Sagrada Escritura não tem o próprio Deus por autor? Ela é a PALAVRA DE DEUS, VERBO DE DEUS e, portanto, um verdadeiro sacramento no sentido lato [3] do termo. A Bíblia e em especial o Novo Testamento, será sempre a base da “Lectio Divina” do Oblato.
20.2 – Mas, o mais importante no cumprimento desse dever da leitura, é o espírito que o animará. Desde o início, será preciso ter-se presente que o essencial não é ler muito, mas ler bem. “Non multa, sed multum”, diziam os antigos.

A OBLAÇÃO E OS CONSELHOS EVANGÉLICOS
21. Sabemos que a vida religiosa se caracteriza pela prática integral dos conselhos evangélicos, ou seja:
A Pobreza à Consiste na renúncia de toda a propriedade de bens materiais;
A Castidade à Pela qual se renuncia a todas as grandes alegrias, embora santas, da vida conjugal, e à paternidade ou maternidade segundo a vida carnal;
A obediência à Pela qual se renuncia ao livre uso da própria vontade, para se submeter deliberadamente e em todas as coisas, ao julgamento e as decisões de um superior.
21.1 – O religioso se empenha, por tríplice voto público, em praticar esses conselhos em todos os seus níveis. É um voto, isto é, uma promessa solene, feita diretamente à Deus e aceita, em seu nome pela Igreja. Promessa tão séria que a sua violação teria feições de um sacrilégio.
21.2 – Para poder efetivamente praticar esses conselhos de perfeição em toda a sua integridade, o religioso se coloca em condições muito particulares de separação do mundo, de vida em comunidade, etc.
21.3 – Contudo, constata-se que para os fiéis chamados a viver no mundo isto não é possível. Atendendo-se ao espírito e não à letra, ele não deverá procurar seguir servilmente o cumprimento das observâncias monásticas, mas esforçar-se por transpor ao seu dia-a-dia, o desejo de desprendimento e de renúncia que as inspira. Tudo portanto deverá, ser feito com “discrição”, tão cara à São Bento, isto é, com sabedoria, prudência, medida e bom senso.

POBREZA
22. O oblato conserva a plena propriedade e o livre uso de sua riqueza e de seus bens. Neste aspecto ele não precisa de modo algum prestar contas a seu mosteiro. Poderá sem dúvida, se quiser, e na medida do possível, isto é, sem prejudicar seus outros deveres familiares, profissionais ou sociais, ajudar materialmente a família monástica à qual pertence; mas esta contribuição terá sempre um caracter opcional, absolutamente livre e gratuito.

CASTIDADE
23. O texto dos estatutos determina que a oblação é destinada e aberta aos fiéis de ambos os sexos vivendo no mundo, seja qual for o seu estado de vida. Portanto, o casamento não é, de modo algum, impedimento para o ingresso na oblação. Numerosos oblatos são casados e a castidade que devem observar, aliás, como todos os casais cristãos, é apenas a castidade conjugal, à qual, diga-se de passagem, é por vezes mais difícil que a castidade total. Como diz justamente o bom São Francisco de Sales: “é mais fácil a abstinência total dos prazeres carnais do que a moderação deles”.
23.1 – Para um solteiro o fato de entrar para a oblação, não acarreta o dever do voto de castidade perpétua. Ele têm toda a liberdade de se casar, mas o que fica implícito é que, se o fizer, deverá manter a fidelidade aos ideais de sua oblação.
23.2 – Acontece, no entanto, às vezes que certas pessoas solteiras, não só pelas circunstâncias, mas por vocação, e, decididas a permanecerem assim, manifestam o desejo, por ocasião de sua oblação, de consagrarem a Deus o seu celibato, por um voto de castidade.

OBEDIÊNCIA
24. A obediência é uma virtude tão importante ao beneditino, que um capítulo inteiro da Regra lhe é dedicado.
24.1 – Para o oblato praticar essa virtude é muito mais conformar-se espontaneamente e alegremente – e ainda com muito espírito de fé – às prescrições e diretrizes de qualquer autoridade legítima que exerça sobre ele, seja de ordem civil ou eclesiástica, hierárquica ou profissional, familiar ou simplesmente moral, é muito mais que solicitar ao seu diretor que lhe dê ordens, ou obedecer estritamente a um conselho recebido. “Não há autoridade que não venha de Deus” (Rom 13, 1), portanto, obedecer a uma autoridade legítima é obedecer a Deus, mesmo que se trate de obedecer as prescrições de um código de trânsito ou às indicações de um guarda de trânsito.
24.2 – Obedecer voluntariamente e com empenho, por amor à Deus e com o único desejo de agradá-lo e de colaborar assim na realização de sua obra criadora e no plano de salvação, na medida e na forma que nos honrar em pedir-nos, será sempre para o oblato a forma mais autêntica de praticar essa obediência “agradável à Deus e doce aos homens”, da qual São Bento nos falou no Capítulo V da Santa Regra, que constitui uma das características principais do espírito monástico.

VIRTUDES FUNDAMENTAIS DA ESPIRITUALIDADE BENEDITINA
Os monges, e de maneira especial os religiosos, são cristãos que se colocam deliberadamente[4], em condições, as mais favoráveis possíveis para alcançar a perfeição, na vida de união com Deus. Dentre os meios utilizados parta atingir esse fim, como vimos, a prática integral dos conselhos evangélicos, pobreza, castidade e obediência, ocupam o primeiro posto. Além dessas, iremos mencionar apenas mais três deles, que por possuírem características da espiritualidade dos monges, são qualificadas de monásticas: “Caridade Fraterna”, “Humildade” e “Silêncio”, virtudes essas, muito citadas por São Bento.

CARIDADE FRATERNA
25. A caridade para com o próximo, (que não pode ser reduzida à simples prática da esmola, como muitas vezes acontece), consiste em “amá-lo como a si mesmo”, mas por amor a Deus.
25.1 – São Bento volta a ela continuamente ao longo da Santa Regra.; cita propositalmente a regra de ouro “não fazer a outrém o que não quer que lhe seja feito” (Tb 4, 15; RB IV, 9).

Três quartas partes dos “Instrumentos das Boas Obras” se referem ao exercício da caridade fraterna e em muitas outras passagens, a Santa Regra não se cansa de entrar em detalhes relativos à benevolência sobrenatural, à discreta cortesia e a solicitude desinteressada que devem animar as relações dos irmãos, seja entre eles, seja entre estranhos: os pobres, os viajantes, os doentes, os hóspedes, as crianças, os idosos, etc... É toda a vida do monge e consequentemente do oblato, que se deve esforçar por imitar o exemplo d’Aquele “que não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28) e de seu Apóstolo que quis “fazer-se tudo para todos”. (cf. 1Cor 9, 22)

HUMILDADE
26. O Capítulo VII, que trata da humildade, é sem dúvida o mais importante de toda a Regra. É essencial observar que São Bento emprega o termo “humildade” num sentido muito amplo do que fazem geralmente os tratados de moral.
26.1 – No fundo, ser humilde, segundo o pensamento de São Bento, é viver perpetuamente em espírito de fé, na consciência constante do que é Deus, e do que somos nós diante d’Ele, e portanto, com o desejo incessante de obedecer-lhe e agradar-lhe.

SILÊNCIO
27. Uma terceira virtude, à qual São Bento dá tamanha importância que lhe consagra inteiramente, todo um capítulo, é a virtude do silêncio.
27.1 – “Há tempo de calar e tempo de falar”, diz o sábio (Ecl 3, 7); e se nos é recomendado falar pouco é “porque nas muitas palavras não falta ofensa” (Pr 10, 19).
27.2 – Este “freio” imposto à língua não é suficiente. As interminantes conversas puramente mentais, a fantasia de uma imaginação mais ou menos desgovernada, as distrações de toda a espécie e suas múltiplas causas internas e externas deverão ser sempre vigiadas e dominadas na medida do possível. Pode-se estar certo de que isso não ficará sem recompensa!

OBLAÇÃO BENEDITINA E PERSEVERANÇA NO MUNDO
28. A perfeição cristã, na palavra de Cristo, consiste na prática do duplo preceito da caridade: “Tu amarás o Senhor Teu Deus, de todo o teu coração, com todas as suas forças , e com toda a sua alma, e tu amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10, 27 cf. Dt 6, 5)
Dito de outra forma, temos primeiramente o dever de aprofundarmos nossa vida intima com Deus, procurando sempre melhor conhecê-lo e melhor amá-lo; depois como conseqüência lógica, estender ao nosso próximo esse amor de Deus, amando-o porque Deus o ama, querendo o seu bem, porque Deus assim o quer, e fazendo junto a ele o papel de Cristo, o Cristo de quem nós somos os membros, ainda mais, sabendo ver nele um membro de Cristo sofredor ou humilhado, a quem podemos ajudar. “Em verdade vos digo: ‘cada vez que fizerdes a um desses meus irmãos mais pequenos, a mim fizeste’” (Mt. 25, 20).
29. É preciso trabalhar na nossa santificação pessoal, aprofundando nossa intimidade com Cristo. Enfim, é oportuno relembrar que a prece e a vida de contemplação não somente devem ser a alma de toda a atividade caritativa[5] ou apostólica, mas ainda constitui a forma mais elevada e eficaz da caridade cristã.
29.1 – Destas diversas considerações, conclui-se em primeiro lugar, que não se pode ser oblato e pertencer ao mesmo tempo a uma Ordem Terceira ou a outro grupo de vida evangélica.
29.2 – Por outro lado, o fato de alguém ser oblato não o incompatibiliza, de forma alguma, com sua ação em movimentos ou grupos orientados para fins apostólicos ou para atividades de assistência social, sob diversas formas.
30. Um oblato poderá, portanto, entregar-se sempre a qualquer forma de atividade apostólica ou de caridade, a que se sentir chamado ou para a qual for solicitada a sua participação, e onde sentir que trabalhará eficazmente pela expansão do reino de Deus.
30.1 – A oblação é destinada a atender aqueles que nela buscam apoio para o desenvolvimento de sua vida sobrenatural. Como já destacamos, é na medida em que aprofundarmos mais nossa crença, onde se vive mais intensamente a vida e o espírito de Cristo, que poderemos dedicar-nos com melhor eficácia sobrenatural às diversas atividades que tem como objetivo levar às pessoas a mensagem do verbo encarnado e fazer brilhar a caridade entre os homens.

U.I.O.G.D.
Ir. Michael de Oliveira, obl. OSB

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[1] Nuance à diferença pouco acentuada entre coisas do mesmo gênero.
[2] Corolário à dedução
[3] Lato à amplo, largo, dilatado
[4] Deliberadamente à decisão tomada após reflexão
[5] Caritativa à caridosa

Mosteiro São João, Campos do Jordão, SP, Brasil